terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Reportagem feita por Weimar Pettengill em seu Blog: weimarpettengill.blogspot.com e veiculada no Correio Braziliense em 13/02/2011


Trekking + Jararaca + Canyoning - parte 1

Veiculado na Correio Braziliense em 13/02/2011 - Fotos: Weimar Pettengill / Cidade de Pedra / Fev 2011



São 09h da manhã. Há 10 minutos caminhamos pelo cerrado sob intensa chuva. Já não há trilhas, nem mapas, nem GPS. Só um forte intuito da direção e a disposição em aproveitar um cenário paradisíaco. Entramos no Coliseu - um anfiteatro natural, cercado de jurássicas rochas em formato de elefante, de um bico de pato, e o que mais sua imaginação projetar.

E o presente não tarda. Ao lado, distante cerca de 50 cm do nosso caminho, uma Jararaca parece em transe, absolutamente inerte, plácida, protegida por uma caixa de Marimbondos Cavalo. Um dia que começa assim, não pode ser simplesmente mais um dia.

Claro que eu quero essa foto. Mas claro que há um preço a pagar. A conta imediata é a seguinte: 06 marimbondos x 03 homens. Dois para cada. Dá pra aguentar. Ao me aproximar, com todo o cuidado possível - apesar da lente objetiva - acabo despertando um dos insetos. Primeiro a foto, depois a picada do marimbondo.

Puro instinto, ao sentir o choque do veneno salto com a preocupação de não incomodar a cobra, mas acabo batendo a câmera na boca e o corte é inevitável. O braço incha imediatamente. Sinto o cotovelo dobrar de tamanho, a mão fica de um vermelho intenso apesar de estar a 60 cm da picada. Febre. O sangue dos lábios começa a escorrer. Mas o sorriso é inevitável ao constatar que a foto foi feita!


Fabiano Nardoto é o tipo de amigo que, quando liga, já sei que uma grande aventura se aproxima. Nem escuto ao certo o que diz, meu nome é pronto e a resposta é sim. Estamos na Cidade de Pedra, um local extraordinário, entre Cocalzinho e a Várzea do Lobo. Uma área de 8 km por 3 km - aproximadamente uma Asa Sul - de pedras, distante 100km de Brasília. Muitas formações rochosas, sem trilhas, colossos de até 50 m de altura, vales cortados por nascentes, praticamente inacessível e quase desconhecida.

Sigo em êxtase: a florada de Canela-de-Ema com um enxame de abelhas trabalhando duro na polinização, as lagartas totalmente desconhecidas. Mirantes, tótens de pedra equilibrados em pontas minúsculas. Para onde aponto a câmera, um novo motivo. Mas não há tempo. Hora de colocar todo o equipamento fotográfico em um saco estanque.

O céu agora é de um azul inexplicável. Entramos numa garganta de pedra com 1 m de largura e cerca de 10m de profundidade. Utilizando a técnica da chaminé, com braços e pernas na parede, conseguimos atravessar o canyon sem cair no rio, alguns metros abaixo. Mas as paredes úmidas exigem atenção redobrada a cada movimento.

Deixamos a garganta para alguns poucos minutos de relaxamento. Logo o rio desaparece sob um rocha. E é claro que vamos juntos.

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